O intelectual de direita

Daniel Day-Lewis como o pedante Cecil Vyse em Uma Janela para o Amor (1985), de James Ivory

Hoje, ao ler mais um texto sobre Bacurau em que a reação dos moradores ao ataque que sofrem é problematizada por responder à violência de forma também violenta, lembrei de um trecho do escritor francês Michel Houellebecq em Submissão (2015), no qual ele discorre sobre essa figura tão curiosa que é o “intelectual de direita”:

“Ele tinha um jeito de intelectual de direita muito sedutor, pensei, isso lhe daria uma certa singularidade na faculdade. Podemos deixar as pessoas falarem bastante tempo, elas estão sempre interessadas no próprio discurso, mas, ainda assim, de vez em quando convém interferir, um mínimo que seja. (…) Por pouco não perguntei a Lempereur: “Você está mais para carola, fascistoide, ou é uma mistura dos dois?”, antes de me recompor. Decididamente eu tinha perdido o contato com os intelectuais de direita, já não fazia a menor ideia de como lidar com eles.”

Embora muitos desses espécimes sigam por aí, insistindo sempre no clássico corte de cabelo escovinha com topete bem armado, também não pude deixar de pensar que em matéria de intelectuais de direita o Brasil já esteve bem melhor servido em outras épocas.

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