O dia em que João Carlos Castanha brilhou em Berlim

João Carlos Castanha em cena do filme Castanha, de Davi Pretto

Em fevereiro de 2014, o cinema gaúcho viveu um momento histórico, com a exibição de Castanha no Festival de Berlim.

Dirigido por Davi Pretto, o filme protagonizado pelo ator João Carlos Castanha foi o primeiro longa-metragem feito no Rio Grande do Sul a ser selecionado para o prestigiado festival alemão, feito que depois seria repetido outras três vezes: em 2015, com Beira-Mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon; em 2017, com Rifle, também de Davi Pretto; e em 2018, com Tinta Bruta, novamente da dupla Matzembacher/Reolon.

Para comemorar a recuperação de João Carlos Castanha – o ator deu um susto em seus amigos e fãs, permanecendo alguns dias na CTI em virtude de um grave problema respiratório -, resgato aqui o texto da cobertura da sessão de estreia de Castanha em Berlim, que fiz na ocasião para o jornal Zero Hora.

Foi muito emocionante poder acompanhar de perto a calorosa recepção do filme pela plateia alemã, bem como testemunhar a felicidade de seu protagonista ao ver seu talento reconhecido numa das principais vitrines do cinema mundial.


LONGA-METRAGEM GAÚCHO CASTANHA

EMOCIONA PLATEIA NO FESTIVAL DE BERLIM

por Marcus Mello

Passava de meia-noite quando os espectadores que lotaram o CinemaxX 4 para assistir à primeira exibição do longa gaúcho Castanha no Festival de Berlim saíram da sala para encarar o frio do inverno alemão. Era o final de uma noite marcante para o público e, ao mesmo tempo, o promissor pontapé inicial na carreira do cineasta gaúcho Davi Pretto, 25 anos, que faz sua estreia em longa-metragem pela porta da frente.

Selecionado para a prestigiadíssima seção Fórum, que costuma privilegiar trabalhos de perfil mais autoral, assinados por diretores comprometidos com a pesquisa de linguagem (e que este ano conta com os novos filmes do coreano Bong Joon-ho, do americano Ken Jacobs e do romeno Corneliu Porumboiu), Castanha assinala desde já um momento histórico para a produção cinematográfica do Rio Grande do Sul – não apenas por ser o primeiro longa gaúcho a participar deste que é um dos três maiores festivais de cinema do mundo, ao lado de Cannes e Veneza, mas, sobretudo, por suas qualidades estéticas.

Com a segurança de um veterano, Davi Pretto cria um filme inclassificável, híbrido de documentário e ficção, em torno de seu protagonista, o ator João Carlos Castanha. Figura com larga trajetória no teatro local e conhecido animador de shows no underground gay porto-alegrense, Castanha interpreta a si próprio, em sequências que recriam o seu muitas vezes duro cotidiano com impressionante naturalidade.

A saúde frágil, a relação com a mãe, as dificuldades de trabalhar com arte em Porto Alegre, as conversas com amigos como os atores Lauro Ramalho e Zé Adão Barbosa, o drama de um sobrinho viciado em crack, tudo nos é apresentado pela encenação precisa do diretor, como se fôssemos indiscretos observadores de um show da vida real, em um procedimento semelhante ao realizado por Andrea Tonacci na obra-prima Serras da Desordem (2006).

A equipe de Castanha em Berlim: na primeira fila, da esquerda para a direita, o ator João Carlos Castanha, o diretor Davi Pretto, a produtora Paola Wink e o desenhista de som Tiago Bello; na segunda fileira, a produtora musical Rita Zart, o fotógrafo Glauco Firpo e o montador Bruno Carboni

A primeira sessão de Castanha em Berlim contou com a presença de vários membros da equipe do filme. Além de Davi Pretto e de Castanha (que, tomados pela emoção, choraram durante o debate), subiram ao palco a produtora Paola Wink, o desenhista de som Tiago Bello, o montador Bruno Carboni, o fotógrafo Glauco Firpo, o co-produtor e distribuidor Sandro Fiorin e a produtora musical Rita Zart.

O ator João Carlos Castanha, ao lado do diretor Davi Pretto, em debate após uma das sessões de Castanha no Festival de Berlim

Na plateia lotada, muitos gaúchos (como as produtoras Aletéia Selonk e Camila Gonzatto), o presidente da Ancine, Manoel Rangel, além de uma multidão de cinéfilos berlinenses, que já esgotou os ingressos de todas as quatro sessões programadas para o filme durante o festival, ao longo desta semana.

O evento prossegue até o próximo domingo.

O ator João Carlos Castanha foi capa da revista Teorema em janeiro de 2015

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